domingo, 4 de setembro de 2011

Red Dead Redemption

        Da Rockstar veio um dos mais sérios candidatos a melhor jogo de 2010.
                                          Red Dead Redemption
                                    

Após vários anos a apostar na selva urbana de GTA, a Rockstar regressou ao Velho Oeste com Red Dead Redemption, a pseudo-continuação de Red Dead Revolver. E ao contrário do original, que não passava de mais um jogo de acção na terceira pessoa, encontramo-nos perante um soberbo título "sandbox", que está muito para lá de ser um simples Grand Theft Old West. Magnífico.
A obra coloca-nos na pele de John Marston, um fora-da-lei reformado que se vê obrigado a regressar ao activo. Sem revelarmos muito da história, teremos de ajudar o protagonista a matar os seus antigos companheiros de gang, de forma a evitar uma desgraça maior.
Até atingir o objectivo, que culmina num grande final, interagimos com dezenas de personagens excelentemente desenvolvidas, participamos activamente em centenas de situações que decorrem paralelamente ao fio condutor da trama e podemos marcar presença numa mão-cheia de mini-jogos de altíssima qualidade.
Tudo isto apresenta-se na companhia de diálogos extremamente bem escritos, de temática adulta, que muito ajudam a transformar o jogo numa experiência em todos os sentidos memorável. Sem margem para dúvidas, estamos perante um produto com o selo de qualidade Rockstar, composto por situações que farão sorrir os fãs dos velhos westerns.
Na verdade, assemelha-se a uma compilação vídeojogável de momentos vindos de tudo quanto é cowboiada, indo dos clássicos interpretados por John Wayne, até aos fabulosos westerns spaghetti de Sergio Leone... polvilhado por momentos com o cunho muito próprio dos criadores de Grand Theft.
Em termos de estrutura, nada será estranho a quem tiver passado por Vice City, San Andreas e, especialmente, pela mais recente incursão de Liberty City. Ou seja, presentes no mapa estão missões que fazem avançar os acontecimentos principais. Aos poucos e poucos, outras vão surgindo, sendo responsáveis pela evolução do protagonista, isto para além de resultarem no aumento do espólio financeiro, acesso a novos fatos e armas mais potentes.
Como estamos perante uma obra "sandbox" da Rockstar, todas as acções têm consequências. Assim sendo, podemos optar por uma vida honrada ou então entrar a matar, transformando o anti-herói no mais procurado dos criminosos.
Caso se opte pela vida do crime, há que lidar com o sistema de Wanted, sistema esse em que os actos ilícitos resultam na cabeça a prémio do protagonista. Para complicar, a recompensa vai aumentando consoante se comete ilegalidades, ou seja, começa-se a dar de caras com muitos caçadores de prémios que nos querem capturar... mortos ou vivos.
Para evitarmos esses momentos, temos de nos dirigir a um determinado local para pagar, literalmente, a dívida contraída à sociedade, fazendo com que o nível de procura desapareça.
Queremos com isto dizer que, ao contrário do que acontece em GTA, não basta escapar às perseguições realizadas pelas forças de lei para que tudo fique bem, pois em Redemption a fama precede-nos, fama essa que tem impacto nos mais variados momentos do jogo. Por exemplo, aqueles que decidirem calcorrear o trilho da justiça poderão contar com bons descontos nas mais variadas lojas presentes no mapa. Mais uma prova que o crime não compensa...
A progressão do estado do protagonista vai sendo mostrada nas barras de Fama e Honra. Na verdade, nunca uma obra da Rockstar teve tantos sabores a RPG. É o caso da repercussão que tem a escolha dos fatos de Marston em determinados pontos da aventura.
Se um permite aldrabices durante sessões de póquer, outros fazem com que passemos despercebidos ao olhar de bandidos, caçadores de tesouros e das forças da lei. Também há aqueles que ajudam muito nas sessões de tiroteio, reduzindo o tempo de carregamento do Dead Eye (o bullet-time de Redemption), só para vos darmos alguns dos muitos exemplos possíveis.
Naturalmente que os fatos em questão estão bloqueados no início, tendo de ser comprados ou adquiridos no momento em que se preenchem determinados requisitos.

Voltando à Honra e Fama, naturalmente que não faltam situações com repercussões nas ditas cujas, algumas delas sendo activadas sob a forma de mini-missões. Travar um cliente que se encontra a esfaquear uma prostituta... capturar um bandido que roubou um cavalo ou uma caravana... evitar um linchamento... ajudar um infelizes que se encontram rodeados por criminosos... são às resmas os momentos como estes, que surgem de forma aleatória durante as nossas caminhadas pelos cenários.
Depois há os actos que têm como limite a imaginação dos utilizadores. Como devem calcular, se atarem uma jovem senhora, colocando-a depois nos carris do comboio, estamos perante um acto que é um bom boost para quem queira seguir a vida do crime. Voltamos a dizer... no que toca à pura maldade, a imaginação é o limite, característica que não poderia faltar num jogo da Rockstar.
Como referimos atrás, os mini-jogos são muitos, sendo alguns deles realmente bons. É o caso do simulador de póquer, no qual já perdemos uma quantidade absurda de horas. Igualmente engraçadas são as sessões de dados e a possibilidade de participarmos em actividades como acertarmos com uma ferradura no local correcto.
Como complemento, não faltam trabalhos para serem realizados, bandidos para serem capturados, bebedeiras para serem apanhadas em saloons, jornais para serem lidos, películas para serem assistidas, duelos de braço-de-ferro para serem usufruídos e casas para serem alugadas, entre outras delícias.
Portanto, sem qualquer tipo de exagero, é extremamente fácil perdermos centenas de minutos de Redemption sem avançarmos nada na trama. Quase que se pode dizer que o argumento tem papel secundário, tal o nível de detalhe com que se apresenta o mundo de Marston e companhia.
Até as próprias cavalgadas de local em local correm sérios riscos de demorarem bastante mais tempo do que o necessário. Isto porque é quase irresistível perder-se tempo a observar o genial ecossistema implementado na obra. E refira-se que também dá algum jeito fazer caçadas, tirando-se a pele à vida animal abatida para mais tarde ser vendida. É dinheiro extra muito bem-vindo.
Estas viagens são realizadas em cima dos incontornáveis cavalos, que podem ser roubados à bela maneira dos veículos de GTA. Mas ao contrário destes últimos, é impossível não se sentir uma ligação afectiva ao equídeo que nos acompanha desde as primeiras horas de jogo, relação essa que tem impacto na energia do animal, essencial para se cavalgar o mais rápido possível durante determinados períodos de tempo. Uma graça.
Em termos de jogabilidade, a condução do cavalo pode parecer estranha durante o primeiro contacto com a obra, mas acreditem que rapidamente entranha-se, sendo conveniente lembrar que estamos perante um ser vivo e não de uma máquina. Bem mais charmoso do que os já muito vistos volantes e pedais de aceleração e travagem.
As deslocações entre localidades também podem ser realizada em coches, pagando-se uma determinada quantia de dinheiro, ou automaticamente, após acamparmos fora de cidades, por exemplo. Tratam-se de funcionalidades essenciais para quem queira avançar o mais rapidamente possível na história, história essa composta por cerca de 20 horas de jogo.
Igualmente bons são os muitos tiroteios, a pé ou a cavalo, presentes no western da Rockstar, com o muito intuitivo sistema de mira a vir de GTA IV. A este junta-se o tal de Dead Eye atrás referido, que coloca os adversários a funcionar em câmara lenta. Quando activado, resta-nos fazer pontaria sobre a partes do corpo dos inimigos (ou vida animal) que queremos atingir e pressionar o trigger direito. Depois toca a observar muitos maus da fita a serem abatidos em dois segundos. Digamos que facilita muito, por vezes em demasia, as nossas acções em combate.
Para melhorar, o Dead Eye pode também ser utilizado durante os momentos em que utilizamos o laço para capturar pessoas ou animais em fuga.
Apesar do single-player ser o rei da festa de Redemption, o multiplayer não deixa de marcar presença, mostrando-se em modos competitivos e cooperativos. Os primeiros assumem a forma de combates em equipa ou cada um por si, capazes de abrigar um total de 16 jogadores em simultâneo. Apesar de não trazerem nada de muito novo, pode dizer-se que divertem, indo todo o destaque para o facto de terem início com um irresistível Mexican Standoff, ou seja, os participantes começam frente a frente, prontos para sacarem a pistola e começarem aos tiros uns aos outros. Muito, muito bom!
Igualmente bom é o modo cooperativo, chamado Free Roam, no qual todo o mapa single-player encontra-se disponível para ser explorado por grupos de utilizadores. Missões não faltam, bandidos controlados pela consola também não, assim como a possibilidade de se balear os elementos do nosso gang. As acções são recompensadas com aumentos do nível de experiência, aumentos esses que resultam no acesso a novos avatares, mais modos e melhores montadas. Excelente!
Passando para o departamento visual, Red Dead Redemption é um prazer para os olhos. As personagens apresentam-se soberbamente detalhadas, na companhia de um design fabuloso, os cenários cortam a respiração e o nível de pormenores presentes em todos os locais da aventura chega a ser absurdo.
Claro que nem tudo são rosas. Os bugs dão sinal de si, resultando em situações inadvertidamente hilariantes, como pode ser comprovado nos muitos vídeos que já atingiram o YouTube. As animações são boas, apesar das muitas situações em que o número de frames sofre drásticas reduções. Mas entre o deve o haver, estamos perante um jogo que graficamente impressiona, tendo em conta as suas dimensões.
Como é habitual nos títulos vindos dos estúdios dos irmãos Houser, o departamento sonoro é praticamente imaculado. Os diálogos são proferidos na perfeição, os efeitos são puro western e a banda sonora poderia ser da autoria de Ennio Morricone. Um espanto!
Conclusão, Red Dead Redemption é mais um produto Rockstar que está muito para lá do obrigatório. Uma obra vídeojogável em quase tudo formidável, que não deixará ninguém indiferente. Essencial!

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